Um dia, por sinal de sol e bem quente, fui dar uma volta de comboio com o meu dono. Instalei-me por de baixo do banco, dormi uma soneca e passado algum tempo o meu dono acordou-me, fazendo-me uma festinha e dizendo-me que tínhamos chegado.
Levantei-me muito bem disposta, o meu dono colocou-me o arnês e dirigimo-nos para a porta do comboio que o revisor lhe havia indicado. Quando o comboio parou, o meu dono rodou uma manivela e a porta abriu-se. Preparava-me para descer quando percebi que aquilo era demasiadamente alto. Alto não para mim, pois eu facilmente saltaria tal altura, mas sim para o meu dono. Então pensei que o melhor seria mesmo não avançar.
Entretanto, o meu dono começou a pedir-me que descesse. No início foi mesmo um pedido, mas à medida que o tempo ia passando e eu estava ali no topo dos degraus sem que me decidisse a saltar, o tom de voz do meu dono foi subindo, transformando-se numa ordem várias vezes repetida "Gucci, avança, Gucci, avança".
Eu por mim, como vos contei, já tinha mesmo decidido que não iria saltar e, por isso, procurei reunir todas as minhas forças para tentar evitar que o meu teimoso dono descesse. E olhem, ainda bem que assim procedi porque de repente, mesmo em frente ao meu nariz, começou a passar um outro comboio.
Ai que o meu dono deveria estar mesmo tonto! Querer saltar para um sítio e estarmos sujeitos a ser atropelados por uma coisa tão pesada!
Por fim, e depois de já estarmos ali algum tempo, lá apareceu, correndo, o senhor revisor que, pedindo muitas desculpas ao meu dono, lá foi dizendo que se tinha enganado e que nós deveríamos sair pela porta do outro lado.
Já na plataforma da estação, o meu dono fez-me muitas festinhas e agradeceu-me muito. Mas acreditem, ele estava mesmo muito perturbado!
Gucci