CPUC - Utilizadores e Cães-Guia

Vida de Cão

Duska - O Croissant

Fotografia da Duska com um boné e mochila

Dizem que nós os Labradores somos um estômago com quatro patas. Não sei se isto é verdade, mas tanto eu, como os meus amigos temos um apetite devorador. Acho que é pelo facto de trabalharmos muito, durante todo o dia, e de comermos apenas duas vezes, pelo menos oficialmente.

Partindo do princípio de que esta afirmação não é totalmente verdadeira, mas que lá no fundo tem alguma razão de ser, venho contar uma coisa humilhante que me aconteceu no emprego da minha dona.

Todos os dias chegamos à Faculdade de Letras do Porto por volta das 8h 30m da manhã. A esta hora já passaram duas horas da minha primeira refeição. Começo a sentir alguma fraqueza, como dizem os humanos, tenho um ratinho a roer-me o estômago. Já agora, não sei que mal fiz a este ratinho, que não me larga durante o dia inteiro. Voltando ao que me sucedeu, estávamos a chegar ao trabalho da minha dona. Muitas vezes, para irmos na direcção da biblioteca onde ela trabalha, atravessamos o bar dos alunos. Acho este sítio maravilhoso. Tem migalhas, restos de pães e bolos no chão, às vezes salgadinhos, enfim, é um lugar onde qualquer Labrador como eu sente uma felicidade imensa. Naquele dia, assim que entrámos no bar, avistei no nosso caminho, um estudante a conversar muito animado, com um belo croissant quase inteiro numa das mãos. “Que belo croissant!” – pensei eu. Rapidamente desviei o meu percurso sem a minha dona dar por isso, e dirigi-me ao croissant. O dono do bolo não tinha dado por mim, e a sua mão direita continuava a segurar aquela delícia sem a comer. Nesta altura, já algumas colegas da minha dona se tinham apercebido das minhas intenções, mas como gostam muito de mim, não disseram nada. O croissant estava cada vez mais perto, mais três ou quatro metros e era meu. O aluno continuava o seu discurso sem me ligar nenhuma. Finalmente estava a escassos centímetros do meu objectivo, abri a boca já a pensar como aquilo devia ser bom. No momento exacto em que eu ia conseguir apanhar aquela delícia, o estudante levou-a à boca para dar mais uma dentada , e quando fechei a minha boca, não apanhei nada. Estúpido! As colegas da minha dona desataram a rir, não sei qual foi a piada! Fiquei muito chateada! É verdade, o dono do croissant não se apercebeu de nada. Pensei que para a próxima talvez tenha mais sorte.

Duska

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